Série III – A preparação para a missão cristã (Actos 1:01 – 02:13)

O livro de Actos é uma clara indicação de que o drama divino não terminou com a morte e ressurreição de Jesus. Ele continua com os discípulos de Jesus que havia sido chamado para evangelizar o mundo inteiro. Três factores são particularmente importantes na preparação dos discípulos para a missão. Primeiro, eles teriam que obedecer à ordem de Jesus para ficarem em Jerusalém. Em segundo lugar, enquanto esperavam pela promessa deveriam jejuar e orar. Terceiro, deveriam permanecer juntos em unidade. A tónica de preparação dos discípulos para a missão daria só depois de serem baptizados com o Espírito Santo. Em Actos a vinda do Espírito Santo pode ser entendida como a força motriz da missão. (Lucas 3:22, 4:1, 18; 10:21, Actos 1:2) Após a descida do Espírito Santo os apóstolos, ficaram aptos para sua missão de Jerusalém aos confins da terra.

A missão em Jerusalém (Actos 2:14 – 8:3)

O escritor de Actos mostra que a proclamação do evangelho começou entre os judeus que tinham vindo a Jerusalém “de todas as nações debaixo do céu.” Aqui nós vemos uma mudança surpreendente de cena, o evangelho que era pregado de” casa em casa ” vai para a rua onde encontra uma imensa multidão sedenta da verdade que transforma. A referência do seu alcance deu-se no seio de judeus estrangeiros, e sua universalidade étnica que residiam em Jerusalém (2, 9-11). Vários exemplos das pessoas em relação às suas línguas nativas são mostrados em Actos 2:9 e10 que confirma a universalidade étnica que havia em Jerusalém. Sem dúvida, Jerusalém era um ponto de partida para a missão cristã que mais tarde chegou a outras fronteiras.
Em Actos 3-7, Lucas narra a evangelização que teve lugar entre a população judaica de Jerusalém. Esta população inclui tanto os nascidos em herança judaicos e aqueles que vieram à fé judaica de origem gentia. A partir do mesmo texto (Actos 3-7), podemos ver os episódios que envolveram os discípulos na sua missão de evangelização. Entre elas estava a realização dos milagres e sinais (5:12) que foram úteis para dar a conhecer a notícia sobre Jesus Cristo. Por exemplo, a cura no templo (3:1-11) é a história primeiro milagre que Lucas nos apresenta. Esse milagre tem uma clara ligação com 2:43 e a promessa profética previsto por Joel com o derramamento do Espírito (2:19).
No livro de Actos encontramos elementos formais e familiares a aquelas das histórias sinópticas, incluída na exposição (vv. 1-5), tais como palavra e gesto curador (vv. 6-7) como também a demonstração da cura (v.8) e os efeitos sobre os espectadores (vv. 9-10). Da mesma forma, vemos como os milagres, sinais e prodígios no livro de Actos tiveram uma função importante na chamada das pessoas à fé em Deus.

A missão na Judeia e Samaria (Actos 08:04 -12: 25)

Em resposta ao mandamento de Jesus e também motivado pela grande perseguição, os discípulos foram levados para fora de Jerusalém para toda a Judeia e Samaria. Esse acontecimento especial está ligado com descida de Filipe a uma cidade da Samaria com objectivo de anunciar as boas novas de Cristo ali. (8:1, 5) Neste capítulo, vemos Filipe exortando o povo a procurar o caminho de Deus. Em vv.29, 30 o Espírito disse a Filipe para seguir uma carruagem na qual havia um etíope que estava lendo o profeta Isaías sobre o servo sofredor. Com estas passagens Lucas mostra-nos claramente que o Espírito de Deus é aquele que orienta os discípulos para anunciar o caminho de Deus. Outros exemplos da missão dos apóstolos foi entre os samaritanos, os quais aceitaram o evangelho de Jesus e foram baptizados, incluindo Simão, aquele que queria comprar o poder do Espírito Santo. Os samaritanos (8, 9, 11) ficaram impressionados com os sinais de Filipe e grandes milagres. No v.17 lemos: “Então Pedro e João impuseram as mãos sobre eles, e eles receberam o Espírito Santo.” A vinda do Espírito Santo sobre a Igreja Samaritana deu um novo impulso para expandir a mensagem do caminho de Deus.
O escritor de Actos 9:1-13 também nos traz a história de Saul, um homem que, antes de se converter ao cristianismo era um perseguidor da igreja, mas depois se tornou um dos principais líderes para a expansão da igreja, como temos visto no capítulo dois acima. Em Lucas 9:15 nos diz que Paulo cumpriu seu chamado divino para a missão. O Espírito Santo faz saber que Paulo tinha sido marcado para o “trabalho missionário” cujo conteúdo é esclarecido nos capítulos 13 e 14.
Outra grande contribuição para o progresso da missão aos gentios é encontrada na visão de Pedro sobre Cornélio, homem gentio que vem a Cristo (10:9-16). Neste caso, novamente vemos que o Espírito Santo estava activo na conversão de Cornélio. Vemos também que o Espírito Santo ordenou a Pedro a receber Cornélio como mensageiro devoto de Deus. Como vimos anteriormente, a visão de Pedro ensinam que era de facto o plano do Espírito Santo no propósito do evangelho chegar as outras nações. Rheenen, citando Newbigin, escreveu: “É verdade que esta história mostra como a missão de Deus não é simplesmente uma empresa da Igreja. É uma obra do Espírito, que vai à frente da Igreja, toca o soldado romano e sua família, preparando-os para a mensagem e ensina a Igreja uma nova lição sobre o alcance da graça de Deus.” Através deste evento Lucas nos mostra que o Espírito Santo trabalhando através dos discípulos de maneira dramática quebrou a barreira que havia entre judeus e samaritanos.

O Missão para os confins da Terra (Actos 13:1 – 28:31)•
O livro de Actos é dividido em duas partes distintas: a primeira parte, é o capítulo 1 a 12, uma secção que trata da igreja em Jerusalém e Judeia, e com Pedro como figura central. A segunda parte é o capítulo 13 a 28 e trata da história das viagens missionárias de Paulo e retrata como os personagens principais dessa parte do livro de Actos.
A secção inteira regista as muitas contribuições que Paulo fez para a história da missão no livro de Actos. Temos visto que foi através de um encontro com o Espírito Santo que Paulo foi escolhido para ser um missionário aos povos gentios. Em (13:3) igreja impondo mãos sobre eles o enviaram e em (13:4) diz que foi o Espírito Santo quem os enviou. Todos juntos confirmam o plano de Deus na evangelização dos gentios. É importante perceber o que Lucas está a transmitir-nos, ele diz-nos que a missão de Paulo não foi por iniciativa própria, mas foi realizado em obediência a uma comunidade de crentes que foi ela própria, actuando sob a orientação do Espírito Santo (vv.2, 4). Isto é a primeira vez que vemos a participação da igreja no envio de discípulos em missão. Em seus comentários sobre Actos 13:1-3, Barrett escreveu que “Esta passagem marca uma ruptura importante na história de Lucas, apresentando aqui o trabalho missionário, especialmente em relação aos gentios, não como sendo planejada, mas sim acontecendo quase como fortuito. Aqui, porém a iniciativa ainda é atribuída ao Espírito Santo (v.2), dois sócios da igreja local são enviados em uma jornada evangelística através do país.” Esta passagem deixa claro que o povo gentio se tornou o foco da missão do Espírito Santo e da igreja em Antioquia, e também tem um significado especial como o início do cumprimento do mandamento de Jesus e a promessa de que iriam assistir a ele, não somente em Jerusalém, Judeia e Samaria, mas até os confins da terra.
Nas séries seguintes iremos analisar pormenorizadamente as três viagens missionárias de Paulo como o cumprimento de sua vocação pelo Espírito Santo e pela igreja.
Até lá um grande abraço
Danilo

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