A ADOLESCÊNCIA COMO PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO – PROCESSO DE AUTONOMIA

A ADOLESCÊNCIA COMO PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO – PROCESSO DE AUTONOMIA

          Segundo Manuela Fleming, apesar da importância conferida à autonomia do adolescente pelas sociedades industrializadas ocidentais no decorrer deste século, apesar da autonomia aparecer ao longo do tempo, uma questão central para os investigadores interessados no estudo do desenvolvimento psicossocial do adolescente, apesar ainda da autonomia ser uma das questões consideradas como muito importantes pelo próprio adolescente no seu vivido existencial, a questão da autonomia não parece Ter merecido investigação suficiente.

            DIFERENTES CONCEPTUALIZAÇÕES TEÓRICAS DA AUTONOMIA COMPORTAMENTAL DA ADOLESCENTE. 

Segundo esta mesma autora existem diferentes conceptualizações teóricas dos mesmos aspectos, tornando difícil derivar hipóteses claras e consistentes, pelo que as conceptualizações  predominantes não se tem mostrado muito produtivas e úteis. (Hill  & Silverberg, 1986) Entre estas e outras razões levaram-nos a conceber um vasto estudo sobre autonomia comportamental do adolescente, na perspectiva do desenvolvimento e contemplando simultaneamente várias vertentes do problema. As representações adolescentes da autonomia; os aspectos evolutivos e diferenciais: do desejo de autonomia, da capacidade de realização dos comportamentos de autonomia e da desobediência aos pais para os realizar; a idade de início dos comportamentos de autonomia; as dimensões da autonomia comportamental , e ainda a relação entre a capacidade de realizar a autonomia comportamental e as percepções das atitudes dos pais.

            Entre 1984 a 1988 houve investigações que conduziram a resultados muito significativos e consistentes permitindo  uma visão global do evolutivo adolescente já que põe em evidência as diferenças entre sexos e entre idades e ainda permite evidenciar as diferentes relações que se estabelecem entre a capacidade de realização da autonomia e as percepções das atitudes parentais.

            AS DIMENSÕES DO COMPORTAMENTO PARENTAL 

De acordo com os resultados das diversas investigações de Baumrind (1966, 1967, 1968) consta-se que a maior ou menor autonomia no adolescente está associada a dimensões do comportamento parental. No essencial, Braumrind verifica que a autonomia na adolescência é fomentadas por atitudes parentais que conjuguem em simultâneo a definição clara de limites e regras para o comportamento e uma relação calorosa e de aceitação.

            As implicações das diferenças parentais no seu relacionamento com os filhos, durante a adolescência , foram profundamente estudadas por Elder (1963). A sua investigação forneceu uma descrição prototípica dos estilos parentais, ou níveis de poder e os seus efeitos concomitantes na autonomia da adolescente.

            OS TRÊS NÍVEIS DO PODER PARENTAL 

O autor analisou a relação entre o grau de legitimação do poder parental, dado pelas frequências das explicações das normas e três aspectos no adolescente: autonomia (definida pela capacidade de tomar decisões e pelo sentimento de autoconfiança nos objectivos pessoais e nos padrões de comportamento), o desejo de se parecer aos pais e a obediência às regras parentais. Fez esta análise em três níveis de poder parental, caracterizado por três tipos de interacção entre pais e adolescentes: autocrático, democrático e permissivo. Elder concluiu que a autonomia é mais típica nos adolescentes cujos pais são simultaneamente permissivos ou democrático e dão frequentemente explicações como forma de legitimação do seu poder. Os adolescentes que raramente recebem explicações encontram-se menos aptos a exibir comportamentos autónomos. Entre os pais que explicam as suas decisões, os de estilo democrático são os que mais favorecem a autonomia dos filhos. Aquela investigação ainda mostrou que os sujeitos cujos pais foram exigentes e simultaneamente rejeitantes, frios e repressivos eram, na adolescência e na idade de jovens adultos indivíduos não autónomos e ansiosos procurando permanentemente a aprovação dos outros. Estes adolescentes vindo de famílias de tipo “autoritário” tinham tendência para pensar que tinham pouco ou nenhum controlo sobre aquilo que lhes acontecia.

            A AUTONOMIA SUBJECTIVA NOS ADOLESCENTES 

Ainda podemos referir que várias outras investigações foram feitas e chegaram a conclusão que a autonomia subjectiva nos adolescentes se associa com relações próximas e calorosas com os pais, numa atmosfera de aceitação da influência parental.

            Segundo Manuela Fleming da análise crítica que fazemos da investigação prévia ressaltam um conjunto de questões e de problemas em aberto que quanto a nós, merecem ser investigadas: (l) o conceito de autonomia nem sempre se encontra suficientemente esclarecido, (2) na análise da relação entre autonomia e atitudes parentais, as variáveis sexos e idade não foram sempre controladas pelo que se desconhece o seu efeito, (3) a contribuição relativa de cada uma das dimensões das atitudes parentais para a variabilidade da autonomia não foi avaliada, desconhecendo-se  portanto qual o poder preditivo de cada uma delas sobre a capacidade de realização de comportamentos de autonomia de adolescente.

          O REPORTÓRIO DE COMPORTAMENTOS EXPLORATÓRIOS  SEGUNDO O MODELO DE BOWLBY 

De acordo com o modelo de Bowlby, na adolescência, o reportório de comportamentos exploratórios aumente e diversifica-se enormemente mas num sistema de interacção com as figuras parentais: o adolescente mantém um comportamento de procura-de-proximidade com os pais , e espera receber deles um comportamento de cuidado.

            Para Bowlby (1973) a auto-confiança  e consequentemente a autonomia, não é tanto “contar consigo próprio” como por vezes os estereotipos culturais sugerem ou certas conceptualizações da autonomia têm veiculado, mas contar com o apoio dos outros para a partir daí construir a sua própria autonomia. Na sua opinião, “uma auto-confiança bem fundada não só é compatível com a capacidade para contar com os outros mas cresce com ela e é complementar dela.

            O ENCORALAMENTO DA AUTONOMIA POR PARTE DOS PAIS

Segundo a autora, o encorajamento da autonomia, por parte dos pais proporciona e estimula os movimentos exploratórios, a experimentação, o confronto com a situações de frustração ou de insucesso, estimulando também a gratificação e satisfação conseguida pela realização de tarefas sem ajuda parental, com o reforço consequente da auto-estima do adolescente. Segundo ela, verificou-se ainda que na adolescência inicial e em ambos os sexos, os adolescentes com uma percepção muito elevada de amor por parte dos pais são também os adolescentes apresentando menor capacidade de realizar comportamentos de autonomia.

            Até à data, alguns autores têm afirmado que a autonomia é maior se o suporte afectivo dado pelos pais for grande. Este padrão tem sido apresentado como válido para toda a adolescência, considerada esta, supomos, como um todo homogéneo, como um processo influenciado sempre no mesmo sentido pelas atitudes parentais, desde o início ao final da adolescência.

            Como conclusão de síntese, diz ela, poderíamos dizer que se o processo de autonomia pressupõe o “ataque” à autoridade parental, ele não envolve uma ruptura ou o ataque ao vínculo emocional aos pais. Pelo contrário, para se separar é preciso que o adolescente  se sinta ligado aos pais através de um vínculo seguro, o que comprova o rigor da conceptualização de Bowlby.

                                                                        Elaborado por Danilo Carvalho

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